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Fase pré-analítica

Fase pré-analítica em concurso: a etapa onde mais se erra em prova e no laboratório

Ordem de coleta, tubos, interferências por hemólise e lipemia, garroteamento e preparo do paciente. O que bancas cobram sobre a fase pré-analítica em análises clínicas.

ConcursosLab23 de junho de 2026·7 min de leitura

Estudos estimam que entre 46% e 68% de todos os erros laboratoriais acontecem antes da amostra chegar ao analisador. A fase pré-analítica é, de longe, o ponto mais crítico do processo.

Resposta direta

Entre 46% e 68% dos erros de laboratório acontecem na fase pré-analítica, antes da amostra chegar ao analisador. É por isso que ela concentra a maior parte das questões de banca sobre rotina laboratorial.

É exatamente por isso que as bancas cobram tanto sobre ela.

O que acontece antes da análise

A fase pré-analítica começa na solicitação do exame e termina quando a amostra está pronta para análise. Inclui:

  • Preparo do paciente (jejum, restrição de atividade física, medicamentos em uso)
  • Identificação do paciente e dos tubos
  • Seleção do tubo correto para cada exame
  • Ordem de coleta
  • Transporte e condicionamento da amostra
  • Centrifugação e separação do soro ou plasma

Ordem de coleta: o que a banca cobra

A ordem de coleta por punção venosa segue a recomendação da CLSI H03-A6, adotada pela SBPC/ML no Brasil:

  1. Frasco de hemocultura (aeróbio antes do anaeróbio)
  2. Tubo com citrato de sódio (tampa azul-clara): coagulação
  3. Tubo seco com ativador de coágulo ou SST (tampa amarela ou vermelha): sorologias e bioquímica
  4. Tubo com heparina (tampa verde): eletrólitos urgentes
  5. Tubo com EDTA (tampa roxa): hemograma e tipagem sanguínea
  6. Tubo com fluoreto de sódio/oxalato (tampa cinza): glicemia

O ponto mais cobrado: por que o tubo de citrato vem antes do SST? Porque o citrato é anticoagulante quelante: se o SST vier antes, o primeiro mililitro de sangue (rico em tromboplastina tecidual da punção) pode contaminar o citrato e alterar o TTPA.

Interferentes pré-analíticos: o que muda no resultado

InterferenteEfeito no resultadoMecanismo
HemóliseEleva potássio, LDH, AST, ALT e bilirrubina indiretaAbsorção de hemoglobina na faixa de 414–420 nm em métodos fotométricos
LipemiaFalsa elevação de proteínas totais, pseudo-hiponatremiaTurbidez interfere em métodos turbidimétricos/espectrofotométricos
IcteríciaFalsas leituras, ex.: creatinina por JafféCromógenos na faixa amarelo-alaranjada

Hemólise (liberação de conteúdo intraeritrocitário): eleva potássio sérico por pseudohipercalemia, além de LDH, AST, ALT e bilirrubina indireta. Interfere em métodos fotométricos pela absorção da hemoglobina na faixa de 414 a 420 nm.

Lipemia (amostra turva por triglicerídeos elevados): interfere em métodos turbidimétricos e espectrofotométricos em determinados comprimentos de onda. Pode falsamente elevar proteínas totais e causar pseudo-hiponatremia por efeito de diluição.

Icterícia (bilirrubina elevada): interfere em reações que usam cromógenos na faixa amarelo-laranja. Pode causar falsas leituras em dosagens de creatinina pelo método de Jaffé.

Preparo do paciente: os detalhes que aparecem no enunciado

Jejum de 8 a 12 horas é o padrão para a maioria das dosagens de bioquímica. Algumas exceções:

  • Glicemia pós-prandial: colhida 2 horas após refeição padronizada
  • Triglicerídeos: exigem 12 horas de jejum, pois a lipemia pós-prandial pode persistir por todo esse período
  • Hemograma: não exige jejum rigoroso
  • Hormônios tireoidianos: não exigem jejum, mas preferencialmente colhidos pela manhã

Atividade física intensa antes da coleta eleva CK (creatinoquinase), AST, LDH e ácido lático, todos de origem muscular. Questão clássica: paciente com CK elevada sem sintomas cardíacos. O histórico de exercício pesado na véspera explica o resultado sem necessidade de investigar síndrome coronariana.

O garrote: simples, cobrado, mal estudado

Garroteamento prolongado (acima de um minuto) provoca hemoconcentração local por acúmulo de líquido intersticial. Proteínas totais, albumina, eletrólitos e parâmetros do hemograma podem apresentar valores falsamente elevados.

A recomendação da SBPC/ML é soltar o garrote assim que o fluxo for estabelecido, ou no máximo em um minuto. Questões que descrevem amostras com múltiplos valores elevados sem explicação clínica costumam ter o garrote prolongado como resposta.

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